Henrique Dubrugras, de 19 anos, e Pedro Franceschi, 18, costumavam passar pelo menos um terço do dia jogando videogame, com os olhos grudados na tela do computador.

Hoje, a rotina dos dois jovens mudou um pouco, e o que era brincadeira virou coisa séria: eles abriram um negócio e, com menos de 20 anos de idade, já estão fazendo sucesso no mercado.

Viciados em games desde crianças, Henrique e Pedro se conheceram pela internet e, dois anos atrás, montaram a start-up Pagar.me –, fornecedora de um sistema de pagamento online que hoje tem 30 funcionários e cerca de 200 clientes. Eles ganharam prêmios e atraíram R$ 1 milhão em investimento estrangeiro.

O sistema funciona de forma semelhante ao Paypal e visa simplificar o cadastro, o pagamento e a aprovação de compras feitas online.

O Pagar.me fica com 1,5% do valor de cada compra, mais uma taxa de 50 centavos. Os clientes também pagam uma comissão que varia de 3% a 5% para a empresa.

“As pessoas não imaginavam que nós pudéssemos criar algo tão inovador”, disse Henrique à BBC.

Início

A dupla se conheceu justamente por causa do seu interesse por games.

Henrique tinha 12 anos e gostava de um jogo coreano chamado Ragnarok, mas seus pais não queriam pagar pela licença do game. Ele decidiu, então, programar sua própria versão do jogo.

O vício em games levou os dois ao sucesso nos negócios de programação; mesmo liderando equipe com gente mais velha, eles afirmam que não enfrentam problemas com isso (Foto: Fernando Perecin)
O vício em games levou os dois ao sucesso nos negócios de programação; mesmo liderando equipe com gente mais velha, eles afirmam que não enfrentam problemas com isso (Foto: Fernando Perecin)

 

Com um novo servidor hospedando o jogo criado por ele, Henrique passou a atrair milhares de gamers para jogar a sua versão do Ragnarok – pagando por isso. E foi aí que ele começou a ganhar dinheiro com seu maior vício.

“Eu costumava fazer meus próprios servidores, porque aí eu não precisava pagar pela versão original do jogo”.

Já o cofundador da empresa, Pedro Franceschi, teve um início ainda mais precoce no mundo da programação: aos 9 anos. Aos 12, conseguiu desbloquear o iPhone 3 no Brasil e, pouco tempo depois, aos 15 anos, fez a assistente da Apple, Siri, falar português.

Henrique e Pedro se conheceram via Twitter quando o primeiro tinha 17 anos e o segundo, 16. Eles participavam de um debate online sobre diferentes tipos de programação de softwares.

“Foi ali que nossa amizade começou. Eu ganhei a discussão e, ao mesmo tempo, um sócio”, disse Henrique.

Mas os dois moravam em cidades diferentes – Henrique em São Paulo e Pedro no Rio de Janeiro. Então, no início, a parceria era só online.

Dilemas de adolescentes

Com idade parecida, tanto Henrique quanto Pedro viviam os mesmos dilemas de adolescência – por exemplo, como convidar sobre como chamar uma garota da escola para sair sem ficar constrangido, caso a resposta seja “não”, ao olhar para no dia seguinte na sala de aula.

Foi então que, em uma maratona de programadores (Hackaton), a equipe de Henrique teve a ideia de um aplicativo chamado AskMeOut. Ele funcionaria como o Tinder para conectar pessoas próximas interessadas em encontros amorosos. Com essa proposta, eles conquistaram o primeiro lugar e um prêmio de R$ 50 mil.

Depois disso, Henrique percebeu que homens e mulheres estavam usando o aplicativo de formas diferentes – enquanto mulheres eram mais seletivas, homens costumavam clicar e “curtir” a maioria das mulheres que apareciam na lista. A solução, então, foi cobrar dos usuários homens do aplicativo – como cada “like” precisava ser pago, eles ficaram mais seletivos também.

'Nós acreditamos que bons líderes são aqueles que atingem suas metas junto com a equipe. Não é uma questão de gênero, qualificação ou idade', disse Henrique (Foto: Fernando Perecin)
‘Nós acreditamos que bons líderes são aqueles que atingem suas metas junto com a equipe. Não é uma questão de gênero, qualificação ou idade’, disse Henrique (Foto: Fernando Perecin)

O AskMeOut deu certo, mas Henrique queria um sistema de pagamento melhor para o aplicativo. Coincidentemente, nesse momento ele conheceu Pedro e, juntos, eles pensaram na solução – que viria ser o Pagar.me.

Sucesso

Nascido da parceria entre dois adolescentes, hoje o Pagar.me emprega funcionários de idades entre 16 e 45 anos. Ainda assim, de acordo com os cofundadores, a “juventude” dos donos da empresa não atrapalha a relação deles com a equipe.

“Acreditamos que bons líderes são aqueles que atingem suas metas junto com a equipe. Não é uma questão de gênero, qualificação ou idade”, disse Henrique.

“Liderar um negócio é uma coisa complicada, mas sempre tivemos sorte de sermos guiados por pessoas que admiramos nos momentos mais difíceis – algo que nos salvou várias vezes durante a evolução da empresa”, acrescentou.

“Na realidade, nós ainda somos adolescentes. Gostamos de jogar videogame e de sair com os amigos. É cada vez mais comum as pessoas buscarem suas ambições cada vez mais cedo. Somos apenas duas pessoas normais que tocam um negócio.”

Fonte: BBC Brasil