Há meses a crise econômica no Brasil já atinge vários setores, mas um em especial começa a sofrer os impactos da atual situação financeira no país: o dos smartphones. E de acordo com um novo levantamento da consultoria IDC, a previsão para os próximos meses não é nada animadora para esse mercado.

Segundo a pesquisa, analistas projetam um total de 50 milhões de telefones celulares vendidos até o final de 2015. Essa quantidade representa uma queda de 8,3% se comparada ao mesmo período do ano passado, quando houve um aumento de 55% nas vendas, totalizando 54,5 milhões de unidades comercializadas. O número também é menor do que a primeira projeção feita pela companhia em 2014, quando eram estimados 54 milhões de aparelhos vendidos neste ano (redução de 1% em relação a 2013).

No entanto, a IDC destaca que o cenário pode ser ainda pior porque esse cálculo de 50 milhões de smartphones vendidos não leva em consideração o fim da Lei do Bem, que prevê desoneração de PIS e Cofins sobre celulares inteligentes produzidos nacionalmente.
Lançada em 2005, a chamada Lei do Bem, que também tinha como objetivo incentivar a inclusão digital e a criação de novas oportunidades de emprego no setor de tecnologia, tinha previsão para acabar apenas em 2018. As regras para a desoneração de taxas e impostos obrigavam as fabricantes a oferecer produtos com conectividade 3G, suporte para aplicativos (pré-instalados ou não) desenvolvidos por programadores brasileiros e preço máximo de R$ 1.500.

Muitos foram os smartphones que se beneficiaram dessa isenção fiscal. Alguns exemplos são o Moto X, Zenfone 2 e Galaxy A5 – todos ótimos celulares que justificam o custo benefício de um aparelho de última geração.

Agora, o benefício será revogado, o que significa que smartphones, tablets e notebooks ficarão mais caros no país. Como a lei entra em vigor já em 1º de dezembro, é provável que as vendas desses aparelhos sejam ainda menores que as previsões feitas pela IDC. Para efeito de comparação, este será o primeiro ano em que o mercado brasileiro de smartphones vai encolher ao invés de crescer.

“Muita água ainda vai passar debaixo da ponte. Dependendo de como o setor de telecom reagir à decisão do governo, pode ser que haja ainda uma reviravolta sobre o assunto, como aconteceu com a CPMF e o Fistel para módulos de M2M”, destacou Reinaldo Sakis, gerente de pesquisas da IDC Brasil.

Sakis alega que antes da Lei do Bem, o mercado nacional de smartphones crescia abaixo da média mundial. A redução dos preços ajudou a acelerar as vendas do produto no país e elas chegaram a crescer 123% em 2013 (35,6 milhões de unidades vendidas) e atingiram o auge em volume no ano passado (54,5 milhões). Em 2010, o número era de apenas 4,9 milhões de dispositivos comercializados e foi aumentando ao longo dos últimos anos – 9 milhões em 2011 (crescimento de 84%) e 16 milhões em 2012 (aumento de 78%). Também pesaram a favor a chegada das redes 4G e o avanço tecnológico nos handsets.

Além dos produtos eletrônicos, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou nesta segunda-feira (31) que haverá alta de impostos para bebidas quentes, como vinhos e destilados. Também devem ser feitas alterações no Imposto de Renda sobre direito de imagem e no Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) que incide nas operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Fonte: Canal Tec